Os números, os dados e a ética no jornalismo

Identificar pautas com base de dados, fazer uma investigação de maneira ética, ser jornalista e se voltar contra o poder a partir de interesses públicos, são coisas que você precisa saber

Comunicação Social: Os números, os dados e a ética no jornalismo
4 de dezembro de 2017 Nathalia Di Oliveira

Lidar com números para quem é da área de humanas pode nem sempre parecer algo agradável. Quando se aprende matemática na escola e você simplesmente não se dá bem com números acaba tendo que aprender as fórmulas e os cálculos na marra, se limitando apenas às regras básicas para conseguir sobreviver o resto da vida com soma, subtração, multiplicação e divisão.


 

Os números, os dados e a ética no jornalismo

Entrar no Jornalismo ou em qualquer curso de comunicação achando que sua relação com números acabou no ensino médio, acredite, você está bem enganado.

 

 Os números vão aparecer em economia, em pesquisa de opinião, e principalmente em jornalismo de dados.

Mas não é tão ruim quanto parece. Quando se é jornalista a criatividade em elaborar pautas deve fazer parte da sua rotina, mas nem sempre é fácil encontrar assuntos de interesse público apenas com o que acontece no dia a dia. E para isso, o jornalismo de dados pode ajudar de maneira significativa. Esse tipo de jornalismo ajuda o repórter a formular uma reportagem completa, só depende do seu olhar interpretativo e curioso que  permite encontrar pautas através de uma grande base de dados.

A inteligência e abrangência do Google como aliados:

O Google é seu grande aliado. A Lei de Acesso a Informação também. Existem inúmeras ferramentas, sites e plataformas que te auxiliam na busca de dados. A interpretação de números no jornalismo tem um grande significado podendo aumentar a relação da noticia com o leitor, identificando tendências e ainda dar forma a história, mostrando inclusive o seu grau de relevância.

Grandes mídias trabalham com dados: The New York Times, The Guardian, The Washington Post (famoso pelo Watergate), Le Monde, e até os nacionais, como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e O Globo.

Como começar uma reportagem de dados?

Para começar uma reportagem utilizando dados é necessário que você formule uma questão para todas as informações que você encontrar. Esse é o seu ponto de partida para explorar as informações e encontrar a melhor forma de abordar o assunto de uma maneira que ninguém ainda o tenha feito.

Como na matemática, existem fórmulas também para obter sucesso na elaboração de uma reportagem. O jornalismo de dados pode ser feito através de quatro regras básicas que se seguidas corretamente podem te ajudar. Você deve: compilar os dados, ou seja, retirar as informações dos dados, encontrando neles a pauta; limpar as informações, pois muitas vezes os dados encontram-se embaralhados e até “sujos” com repetição de nomes comuns, cidades e coisas que podem não ter tanta utilidade; contextualizar, analisando quem reuniu esses dados, quando ele foi feito para saber se é possível identificar novas histórias; e por último: associar, utilizando várias bases de dados diferentes.

Presente

Atualmente, o mercado de trabalho tem exigido profissionais proativos e multitarefas, isso significa que até os jornalistas precisam aprimorar suas habilidades além da boa escrita, mas também atuando como gestores, processadores e analistas de dados e informações para aproveitá-los em novas pautas.

Um dos acontecimentos que facilitou (e muito) a vida dos jornalistas, gerando grande repercussão e muitas pautas novas foi a divulgação do Panama Papers, que é basicamente um conjunto de mais de 10 milhões de documentos confidenciais da autoria de uma sociedade de advogados panamenha chamada Mossack Fonseca. Os registros detalham informações de mais de 200 mil empresas de paraísos fiscais, incluindo as identidades de acionistas e administradores. A divulgação desse documento foi feita em 2015 por um jornal alemão e deu início a diversas investigações onde foram descobertas ações ilegais, incluindo fraude, tráfico de drogas e evasão fiscal.

O Panama Papers foi muito importante também para o Brasil, pois mostrou o envolvimento de mais de 50 políticos, investigados pela Operação Lava Jato, com empresas offshore (que exerce suas atividades em outro país).  

A Lei de Acesso à Informação:

A Lei de Acesso a Informação foi outro acontecimento que passou a ajudar os profissionais da comunicação. A Lei entrou em vigor em 2012 e diz que todos os cidadãos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou coletivo que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade.

A informação pública é o direito que toda pessoa tem de solicitar informações que foram produzidas ou guardadas por órgãos ou entidades públicas, cabendo ao Estado assegurar esse direito. Ela pode ser produzida por órgãos públicos, por pessoa física ou privada, sobre atividades de órgãos ou entidades, e até pertinente ao patrimônio público. Os órgãos públicos, os 3 poderes hierárquicos e as entidades privadas de interesse público devem obedecer a lei, e não podem obrigar a justificativa do pedido das informações. Elas tem um prazo imediato casos as informações estejam disponíveis, e um prazo de 20 dias caso não seja possível disponibilizar as informações imediatamente, esse prazo  pode ser prorrogado por 10 dias se houver uma justificativa.

Ética, confiança e credibilidade

Eugênio Bucci analisa a questão do jornalismo atual a partir de casos históricos que foram fundamentais para a mudança do jornalismo. Esses dois acontecimentos são “J’accusse….!”, uma carta aberta acusando o governo Francês de fazer parte de uma conspiração que levou um capitão judeu a ser condenado injustamente à prisão perpétua sendo suspeito de espionagem a favor dos alemães. O outro foi o famoso caso de Watergate, onde dois repórteres do Washington Post  descobriram e investigaram um esquema de espionagem e sabotagem do comitê de reeleição do presidente Richard Nixon, do Partido Republicano.

Ambos acontecimentos foram de extrema importância para a mudança do jornalismo investigativo, principalmente o Watergate.  As apurações mostraram a liberdade de imprensa, a verdadeira democracia, reordenando o universo do jornalismo, mudando o status do jornalista e revigorando a força civil dos jornais.

As fontes tinham a confiança do jornalista, assim como os jornalistas tinham a confiança das fontes. Além disso, a credibilidade já existente no veículo contribuiu para a utilização de fontes anônimas para a apuração dos fatos. Um jornalista quando trabalha em grandes reportagens depende de sua relação com as fontes e com os chefes do jornal. É uma via de mão dupla onde a cooperação de ambos pode gerar o sucesso ou o fracasso da reportagem.

No texto “Para nunca esquecer”, de Eugênio Bucci, mostra as sete lições aprendidas com esses acontecimentos:

  1. Checar as informações com pelo menos duas fontes distintas

  2. Consultar documentos e provas materiais

  3. Ter autonomia da condução das investigações

  4. Priorizar o interesse público

  5. Utilizar meios lícitos

  6. Organizar bancos de dados

  7. Reescrever diversas vezes

Com a ética e as técnicas certas é possível enxergar o fortalecimento do jornalismo investigativo e de seus poderes perante a sociedade. Pois ele existe para desvendar o que o convém ser escondido. O jornalismo investigativo se utiliza de fatos estatísticos, históricos e análise de documentos, sempre mantendo seu objetivo de fiscalizar o poder.

No Brasil as coisas complicam um pouco quando se trata de investigar e ficar contra o poder, pois subornos em grandes quantias financeiras, denúncias contra veículos de comunicação e seleção de informações divulgadas à imprensa atrapalham o verdadeiro processo de produção das grandes reportagens investigativas. Por isso é necessário que o jornalismo investigativo seja conduzido por conta própria, “pois só há jornalismo investigativo se houver investigação independente que se volte contra o poder.”

 

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